Afirmação do ministro de que proposta rejeitada na Câmara dos Deputados previa contagem pública manual revoltou aliados do presidente Bolsonaro.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), emitiu uma nota neste domingo (26) para reafirmar todo seu discurso durante participação no Brazil Forum UK, realizado ontem, em Oxford, no Reino Unido.

O magistrado afirmou durante o evento que impediu “o abominável retrocesso que seria a volta ao voto impresso com contagem pública manual, que sempre foi o caminho da fraude”. A afirmação originou um debate entre Barroso e alguns presentes. “Isso é mentira. Ninguém nunca falou em contagem manual”, retrucou uma mulher na plateia. “A senhora pode entrar na internet”, devolveu o membro do STF, que falou em “déficit de civilidade”.

A fala de Barroso provocou a reação de aliados e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Barroso é interrompido durante discurso em Oxford. Ele falava sobre o ‘abominável retrocesso que seria a volta do voto impresso com contagem pública manual’. Na última proposta de voto impresso, da deputada Bia Kicis, não há a expressão ‘contagem pública manual’”, declarou Mario Frias, ex-secretário especial de Cultura e pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal. “Barroso foi fazer fake news fora do Brasil. Provavelmente se esqueceu que lá não se prende pessoas que discordam das suas mentiras”, disse o deputado federal Junio Amaral (PL-MG).

Diante da repercussão do caso, o gabinete de Barroso emitiu uma nota dizendo que “a verdade brilha por si só”. “O texto final apresentado pelo relator da PEC 135/2019, que previa o voto impresso, afirmava expressamente: ‘Altera a Constituição Federal a fim de assegurar o direito do eleitor de verificar a integridade de seu próprio voto por meio da conferência visual de registro impresso, bem como objetivando garantir que a apuração do resultado das eleições se dê por meio de contagem pública e manual dos votos’”, diz trecho do comunicado.

“Portanto, o que o ministro Luís Roberto Barroso afirmou corresponde à exata realidade dos fatos, à pura verdade. Como tem afirmado o ministro, o voto impresso, em boa hora rejeitado pela Câmara dos Deputados, poderia trazer de volta o caminho da fraude eleitoral. Essa é a posição do ministro, que respeita as opiniões diferentes.”